15 de setembro de 2015

Esse tal de Amor Platônico


   Ontem enquanto eu assistia um episódio de Grey's Anatomy, meu irmãozinho estava grudado mais uma vez no computador como ele sempre fica depois que chega da escola até a hora que minha mãe tira ele de lá aos gritos. Mas, ontem ele simplesmente me surpreendeu ao girar a cadeira, me olhar com aqueles olhos grandes e inocentes e me perguntar: "Amanda, o que é o amor "pratônico"?", na mesma hora eu joguei a cabeça para trás e dei tanta risada.
   Pensei em fazer piada, dizer que amor "pratônico" é o que sentimos por um prato de comida ou por uma lasanha que acaba de sair do forno, mas não o fiz. Simplesmente não consegui responder a pergunta. Não por não saber a resposta, porque eu sei.
  Meu primeiro amor platônico (alerta vergonha alheia) foi o Felipe Dylon, lembro de ter um daqueles pôsteres da revista Atrevida grudado na porta do meu quarto, e sim eu sonhava em ser a "Musa do Verão" toda vez que via aquele cara de cabelinho enrolado e olhos verdes cantando no Faustão. Não me julguem, eu tinha 11 anos. A mesma idade que meu irmãozinho tem hoje. 
   Enquanto meu pai explicava pra ele o que era o tal do amor platônico, eu só conseguia pensar nos meus amores platônicos. Tive três, ao todo. Contando com o Dylon, lógico. Claro que nenhum deles quis algo com a minha pessoa. O primeiro não sabia da minha existência. O segundo sabia, mas não me enxergava durante as aulas. O terceiro foi de longe o mais traumatizante, não gostava de mim porque eu era muito magra. 
  Quando fiquei sabendo disso, fui pra casa chorando todas as lágrimas do mundo com uma vontade de atacar a geladeira e engordar dez quilos de uma vez só. O que continua sendo impossível para a minha pessoa até hoje. Lógico que hoje em dia eu dou risada de tudo isso e fico pensando em como eu era bobinha. 
  Por isso quando meu irmãozinho me fez a pergunta, depois de rir muito, minha vontade foi abraçar ele e pedir que ele evitasse ao máximo sentir esse tal de amor platônico, não quero ver ele chegando da escola chorando porque alguém não o aceita como ele é. Mas sei, que no fundo, é impossível evitar que isso aconteça. 
  Então, se um dia, meu irmãozinho chegar em casa chorando e com uma vontade imensa de atacar a geladeira. Vou deixar porque comer é muito bom (aqui entre nós, haha). Mas, como dever de irmã mais velha vou fazê-lo entender o que eu demorei anos pra entender. 
  Não devemos mudar nosso jeito de ser para que alguém nos aceite, ou goste da gente. Você, que está lendo esse texto, acredite em mim. Um dia, vai encontrar alguém no mundo que ama você exatamente por você ser do jeito que é. Mas primeiro, vai precisar se amar e se aceitar todos os dias antes que isso aconteça. 

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