18 de julho de 2013

Diário de Uma Encrenqueira



Quinta-Feira, dia 18 de Julho de 2013.

Querido Diário,

    Não revelarei o meu nome, só saiba que tenho 20 anos e muita história para contar. Alguns dizem que sou criança demais, outros que sou muito madura para a minha idade. A verdade é que nem eu sei quem eu sou, gosto de pensar que ainda estou tentando me descobrir.
    A única coisa que você precisa saber sobre mim é que sou complicada demais, eu vivo com a sensação de que posso ser melhor, e de que vivo em um lugar à qual não pertenço. E tenho certeza que não sou a única no mundo a se sentir assim. 
    Há muitas pessoas no mundo tentando encontrar uma resposta pra tudo, tentando sobreviver, tentando superar e eu sou uma dessas pessoas. Quer saber de um segredo? Tenho uma longa lista de coisas que devo e quero superar. O primeiro passo eu já dei, estou tentando. Pelo menos acho que estou.  Eu quero lhe contar a minha história, mas por onde começar? Eu não sei.
     É muito difícil falar sobre tudo o que passei. E pelo que eu percebi nesse exato momento, escrever também não será nada fácil. Eu tive sorte, nasci em uma família grande e meus pais são tudo. Eles são os melhores pais do mundo, eles não sabem disso  porque eu nunca falo sobre isso.  Minha mãe é uma mulher maravilhosa, e espero que um dia eu, pelo menos, seja a metade da mulher que ela é.  Quando eu olho para a minha mãe, vejo apenas bondade e  uma alma incapaz de fazer o mal. Sensível e impressionantemente forte ao mesmo tempo. Ela nem imagina a força que tem, mas um dia ainda direi isso a ela. Minha mãe é minha fonte de inspiração em tudo.  
    Meu pai é um homem de meia-idade com a cabeleira branca e com várias rugas ao redor dos olhos, mas quando olho pra ele não é apenas isso que eu vejo. Eu vejo um guerreiro, um homem que luta com garras e dentes e se esforça muito para que sua família tenha uma vida digna e melhor do que a que ele teve quando era mais novo. Sou muito grata ao meu pai por muitas razões, mas também não falo muito sobre isso com ele.
    Como você pode ver, não sou de demonstrar muito tudo o que eu sinto e nem de sair por aí falando o que eu penso.  Eu não consigo ser assim, e se você me achar uma pessoa transparente estará completamente enganado.

    Eu sou como um livro, não me julgue pela capa e também não espere me entender se começar a ler as páginas. Às vezes não percebemos que o que importa está nas entrelinhas, e nem me pergunte o que está nas entrelinhas porque eu também estou tentando descobrir.

Com amor,
Encrenqueira.

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