22 de maio de 2012

Ele queria tanto brincar que acabou jogando sozinho.



      Ela era uma garota completamente diferente das outras, lógico que ela não era única, tinha sonhos como outra qualquer, tinha um coração que fora destruído e remendado diversas vezes também. A vida não vem sendo fácil para ela ultimamente, desde pequena teve que aprender a abandonar sonhos, mudar de vida, trocar de cidade, deixar amigos para trás, fazer novos amigos, trocar de cidade mais uma vez, e assim sucessivamente. 
      Apesar de estar cansada de mudanças e acostumada com despedidas, ela sabia que ali não era o seu lugar e convive com esse tipo de incerteza até hoje. Afinal, como saber que aquele é o seu lugar quando nem ao menos você sabe quem é ainda?  Aquela garota entregou seu coração pro cara errado duas vezes, foi o brinquedo dele até se cansar e começar a brincar também. Atitude, da qual, ele não conseguiu suportar. Claro, ela tinha que ser somente dele, mas ele? Ele tinha que ser de todas ou não era de ninguém. 
      Creio que isso era o que mais o assustava - pronomes possessivos - pelo menos até descobrir que perdeu a garota para sempre, e não tinha como voltar no tempo e concertar as bobagens de moleque.  Porque, naquele dia, ele percebeu que o cara que ele julgava ser um idiota por secar as lágrimas que ele mesmo provocara diversas vezes,  o cara que sempre estava ao lado dela - apoiando, incentivando, provocando sorrisos, dando broncas - nunca a magoava e nunca a abandonava, fazendo exatamente o oposto que ele fazia conseguiu conquistar o coração da garota. 
     Ele percebeu que não tinha chances nenhumas contra ele, porque na verdade, ele sempre foi e de algum modo sempre será o cara certo para ela. Dava para enxergar de longe o quanto ela era feliz só por ele existir, o quanto ela brilhava quando ela estava ao lado dele, e como, era insuportável perceber que ele brilhava quando estava com ela também. O modo como sorriam, o jeito como se olhavam, sempre tinham opiniões iguais, ele sempre a respeitava, ela sempre ria das piadas dele, nunca brigavam. 
     E isso tudo incomodava ele, de tal maneira, porque ele sabia que agora não passava de uma peça de quebra cabeça descartada, uma peça que nunca conseguiu se encaixar perfeitamente como aqueles duas peças se encaixavam, como elas se completavam. Ele queria tanto brincar que acabou jogando sozinho.

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